Domingo, Janeiro 11, 2009
Quarta-feira, Janeiro 07, 2009
A liberdade da ordem

Abrir o pano da trouxa bem largo e meter tudo.
O passado, os estigmas, as espectativas, o ranso, a piedade, a dúvida. Botar no caldeirão e fazer ouro, com tudo de bruxa que me cabe.
E quando a gaiola está dentro de si?
Como saber o limite entre se deixar ser e se domar?
Como saber a hora da rédea e a hora da crina ao vento?
Se saber herói e estar derrotado pela própria armadura.
Difícil se amar tanto e tão pouco.
Ser incompetente seja para cumprir a demanda ou chutar a demanda para o alto.
Escolher já está.
inerte pelo desânimo, já se quer a tanto tempo, já se andou tanto e a paisagem parece a mesma.
Não quero mais este papel, este lado da mesa.
Cansei desta que já não serve mais e insiste em não ceder o lugar.
A vontade é de romper as amarras quando o que se tem que fazer é atar bem os nós.
A liberdade da ordem, é desta que preciso.
Sábado, Julho 12, 2008
No fundo
casulona maleta guarda tudo pra depois
o agora não dá pra coisa não
melhor depois que o desgosto for e com eles as rugas de dentro dos olhos
Esse espelho que defeita e que me espera chegar e ver que passou
Aquela já não está mais, ficou lá longe feliz com todas as verdades.
Sobra a maquina de fazer certo, coisa mentira que só.
Certo mesmo só felicidade e entrega naquilo que o momento dá.
A receita tá lá mas a água não deixa ler e só sobra o gosto na memória
e a amizade consigo de se permitir assim, no limbo.
Quinta-feira, Julho 03, 2008
Hoje e sempre
Quando se firma e a constância,
acontece então o feito seu.
Ele já estava ali.
Sempre existiu e nunca será algo além do seu próprio destino.
Quando se planta
mesmo sabendo a colheita
( salvo intempéries, que nos livre)
qual não é a surpresa do encontro com o fruto merecido.
Descansa a casca adubo do próximo momento.
Que assim seja.
Domingo, Maio 11, 2008
dia da mãe

Mãe
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado
Eu ainda não fiz viagens E a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa.
Mãe!Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
Almada negreiros.
Almada negreiros.
Quinta-feira, Abril 24, 2008
Domingo, Abril 06, 2008
Troco
Arles 2006Tem algo em mim que cresce quando diminui,
um certo poder de brilhar a sujeira que me faz subir a rolha da champagne quando o último feijão no prato
por isso assim, por isso muito mais.
Por isso sei que faço girar e nascer o que nem se sabia morto e assim também me morrendo e multiplicando a cada vez, a cada amasso me desdobro em três.
Da casca, o buquê.
Da casca, o buquê.




